Nos últimos anos, o e-commerce brasileiro consolidou-se como um dos setores mais dinâmicos do varejo. A penetração crescente de grandes marketplaces ampliou o acesso a consumidores de diferentes perfis, ao mesmo tempo em que reforçou a necessidade de as marcas manterem canais próprios de relacionamento e venda.

No cenário atual, estar presente nesses canais é quase obrigatório. Essas plataformas garantem visibilidade imediata, especialmente para quem está começando. Mas essa mesma visibilidade é acompanhada de margens apertadas, dependência de regras de terceiros e acesso limitado aos dados dos clientes.
É aí que a loja própria entra como o equilíbrio perfeito. Não para substituir, mas para complementar. Ela permite controle sobre a experiência de compra, construção de marca e relacionamento direto com o consumidor. Em um canal próprio, é possível testar ofertas, capturar dados, aplicar estratégias de fidelização e, principalmente, manter autonomia.
O equilíbrio entre canais
A discussão não deve ser pautada pela escolha entre marketplace ou loja própria, mas pela forma como esses dois canais podem atuar de maneira complementar, conferindo ao lojista visibilidade e margem.
Nesse cenário, a integração entre canais se torna essencial. Tecnologias de integração já permitem sincronizar estoques e manter governança sobre múltiplos canais. Com isso, o lojista pode operar em larga escala sem abrir mão da consistência e do controle.
Além disso, já existem soluções baseadas em inteligência artificial que auxiliam o lojista a ir além da integração, mas também ajustar seu catálogo próprio às regras de cada marketplace, reduzindo o esforço manual e acelerando a entrada em novos canais. A tecnologia, portanto, não apenas otimiza processos, como viabiliza a estratégia multicanal em escala.
Exemplos de mercado
Marcas de moda, por exemplo, têm ampliado investimentos em lojas digitais próprias sem abrir mão da presença em marketplaces, onde exploram coleções cápsula ou linhas específicas.
Outros segmentos, como eletrônicos e beleza, também seguem esse modelo híbrido: marketplaces asseguram fluxo de caixa e exposição imediata, enquanto sites proprietários concentram lançamentos exclusivos e iniciativas de personalização. Em comum, consumidores que transitam entre canais exigem consistência na comunicação, no atendimento e na experiência.
Para que essa integração seja bem-sucedida, consistência e governança de dados são fatores críticos. Preços, prazos e discurso devem estar alinhados para preservar credibilidade, enquanto a loja própria precisa ser o principal ponto de coleta e análise de informações de comportamento. Com dados robustos, é possível tomar decisões mais assertivas sobre sortimento, precificação e comunicação, sustentando uma operação multicanal eficiente e rentável.
Um caminho para o futuro do e-commerce
À medida que o mercado se torna mais competitivo e os custos de aquisição se elevam, a integração entre marketplaces e lojas próprias deve ser vista como estratégia de longo prazo.
O futuro do e-commerce estará cada vez mais ligado à capacidade dos sellers de encontrar ferramentas que os ajudem na operação, para que eles passem a ser os orquestradores desse equilíbrio.
Marcas que dominam essa orquestração conseguem o melhor dos dois mundos: têm alta visibilidade, vendem mais e mantêm eficiência na margem de lucros.