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NRF 26: economista da Deloitte fala sobre inflação nos EUA

Por: Júlia Rondinelli

Editora-chefe da redação do E-Commerce Brasil

Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero e especialização em arte, literatura e filosofia pela PUC-RS. Atua no mercado digital desde 2018 com produção técnica de conteúdo e fomento à educação profissional do setor. Além do portal, é editora-chefe da revista E-Commerce Brasil.

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Ira Kalish, economista-chefe global da Deloitte apresentou na NRF 26 um conteúdo técnico e específico para a economia norte-americana. A análise do executivo girou em torno da economia, pressões do varejo e endurecimento das tarifas sobre importações.

Em um cenário em que o otimismo com a Inteligência Artificial divide espaço com o endurecimento de políticas protecionistas, Kalish alertou que o varejo global deve se preparar para um declínio acentuado no poder de compra e uma pressão inflacionária persistente.

O fim da compressão de margens e a inflação de 2026

Embora o consumo nos Estados Unidos apresente uma resiliência estatística, o executivo detalhou que o fenômeno é impulsionado pelo aumento do custo de vida doméstico, e não por um enriquecimento real das famílias.

“O consumo está indo relativamente bem, principalmente por causa dos gastos elevados nos lares americanos”, explicou Kalish. Segundo ele, o gasto é reflexo da inflação em itens essenciais e inadiáveis, o que tem levado a classe média a um nível de endividamento crítico.

Um dos pontos mais sensíveis da palestra foi a transição do impacto das tarifas de importação. Kalish observou que, enquanto o mercado em 2025 se distraiu com o hype da IA, as tarifas continuam sendo o fator estrutural mais perigoso. As empresas, que até então vinham absorvendo os custos tarifários para não repassá-los ao consumidor final na esperança de que fossem medidas temporárias, atingiram o limite operacional.

“Com a percepção de que as tarifas não serão passageiras, as companhias não serão mais capazes de segurar suas margens e precisarão elevar os preços em 2026″, afirmou o economista. O resultado direto será a aceleração da inflação e o enfraquecimento do dólar, contrariando as expectativas de fortalecimento da moeda sob políticas protecionistas.

Imigração e o risco de estagnação da inovação

Kalish traçou um paralelo entre as restrições imigratórias e a saúde fiscal do país. De acordo com o executivo, a queda na imigração atua como um combustível para a inflação, uma vez que a força de trabalho doméstica não cresce em ritmo suficiente para sustentar a expansão econômica.

Além do fator operacional, há um risco sistêmico à inovação. “Um número considerável de empreendedores e soluções inovadoras nos EUA vieram de imigrantes”. O economista citou a Europa como um exemplo recente de onde o endurecimento dessas políticas já gera efeitos negativos visíveis na produtividade e no desenvolvimento econômico.

A dualidade da IA: entre a produtividade e o colapso energético

Ao abordar a Inteligência Artificial, Kalish reconheceu seu papel essencial para ganhos de produtividade a longo prazo e sua capacidade de mitigar, eventualmente, os impactos inflacionários. No entanto, o curto prazo apresenta riscos de “bolha”.

“O investimento em IA é hoje um dos grandes motores do mercado norte-americano. Se esse fluxo de capital estagnar bruscamente, poderíamos enfrentar uma recessão comparável à bolha vista durante a pandemia”, alertou.

Somado ao risco financeiro, surge um desafio de infraestrutura: o consumo energético. Kalish destacou que a demanda elétrica da IA é imensurável e pode levar os EUA a uma crise de abastecimento. Nesse campo, a China leva vantagem estratégica, gerando uma quantidade significativamente maior de energia, o que pode ameaçar a hegemonia tecnológica americana e redesenhar o domínio econômico global nos próximos anos.