Mesmo com o impulso esperado da Black Friday, o varejo brasileiro registrou queda de 1,6% no faturamento de novembro, segundo o Índice do Varejo Stone (IVS). Na comparação anual, o recuo foi ainda maior, de 3,7%.

De acordo com Rômullo Carvalho, economista da Stone, o desempenho indica que a principal data promocional do varejo não foi suficiente para reverter a desaceleração observada ao longo de 2025. Apenas Móveis e Eletrodomésticos, contudo, tiveram reação mais expressiva, com alta mensal de 1%.
“A Black Friday gerou algum fôlego pontual, mas a atividade segue abaixo do nível registrado no ano passado”, afirma. O cenário, segundo ele, reflete limites estruturais do consumo, mesmo com o mercado de trabalho aquecido.
O endividamento das famílias e o custo elevado do crédito permaneceram como fatores de pressão, especialmente sobre itens não essenciais. O momento de retração se repete.
Desempenho por segmento
Entre os oito setores monitorados, somente três cresceram na comparação mensal:
- Móveis e Eletrodomésticos - 1%;
- Tecidos, Vestuário e Calçados - 0,3%;
- Hiper e Supermercados, Alimentícios, Bebidas e Fumo - 0,2%.
Na lista de maiores quedas no mês, estão:
- Material de Construção - 3,2%;
- Combustíveis e Lubrificantes e Livros, Jornais e Papelaria - 2,7%.
Na comparação anual, todos os segmentos tiveram retração, com destaque para Combustíveis e Lubrificantes (6,7%) e Móveis e Eletrodomésticos (5,1%).
Desempenho por estado
Seis estados registraram crescimento anual em novembro. O maior avanço ocorreu na Paraíba (5,2%), seguida por São Paulo (1,7%) e Sergipe (0,8%). Amapá, Distrito Federal e Piauí também tiveram leve alta.
As maiores quedas foram observadas em Roraima (7,9%), Tocantins (7,8%), Rondônia (7,5%) e Rio Grande do Norte (6,9%). Regiões Norte e Sul concentram as retrações mais intensas, enquanto Sudeste e Centro-Oeste apresentaram resultados mistos.