Ao longo dos anos, a evolução do mercado vem moldando as estratégias de marketing para se adaptar à maneira como o consumidor se relaciona com as marcas. Desde sua popularização por Philip Kotler, do modelo inicial dos 4Ps (Produto, Preço, Praça e Promoção) para os 7Ps (adicionando Pessoas, Processos e Evidências Físicas), as empresas tiveram que se adaptar a um novo cenário, no qual a experiência do cliente passou a ter um papel central.

Mais recentemente, o conceito de H2H (Human to Human) ganhou relevância, reforçando a necessidade de uma comunicação mais profunda, que rompa a fronteira entre empresas e consumidores, alcançando as pessoas por trás do relacionamento. Em paralelo, o comportamento do consumidor no e-commerce também mudou drasticamente, impulsionado pela digitalização e pelo aumento da exigência por experiências de compra mais personalizadas e diretas.
Nesse cenário, em que o consumidor digital está cada vez mais apto a um contato direto com a marca, torna-se extremamente necessária a entrada da indústria no e-commerce, não somente com o intuito de eliminar intermediários, mas, principalmente, de construir relações mais próximas e significativas com seus clientes.
Da evolução dos 4Ps para os 7Ps: a adaptação do marketing
O modelo dos 4Ps foi a base do marketing moderno, fornecendo diretrizes para que as empresas pudessem estruturar suas estratégias, garantindo um Produto adequado, vendido a um Preço justo, disponível em uma Praça estratégica e Promocionado de forma a informar e persuadir seu público. No entanto, com a crescente concorrência e a valorização da experiência do consumidor, os 7Ps foram introduzidos, adicionando:
– Pessoas: foco no atendimento e na experiência do cliente, como um suporte humanizado via WhatsApp para auxiliar na compra em uma loja online.
– Processos: otimização e eficiência operacional, como entregas same-day.
– Evidências Físicas (Physical Evidence): reforço da percepção da marca no ambiente físico e digital, como embalagens diferenciadas, mensagens personalizadas e design exclusivo.
A digitalização do mercado trouxe uma nova realidade, na qual as interações deixaram de ser exclusivamente transacionais e passaram a exigir uma abordagem mais personalizada e humanizada.
O H2H e a humanização do relacionamento com o cliente
O conceito de H2H (Human to Human) surge como resposta à necessidade de tornar as interações entre marcas e consumidores mais autênticas. Diferentemente dos modelos B2B (Business to Business) e B2C (Business to Consumer), que priorizam o relacionamento corporativo e transacional, o H2H propõe um diálogo mais direto, humanizado e empático. Um produto que atenda de forma assertiva a determinada demanda não é mais o único ponto a ser avaliado; agora, consideram-se também quem é o CEO por trás daquele produto, as pessoas envolvidas em sua produção, seus valores e como se relacionam com o consumidor e com o mundo.
No e-commerce, essa abordagem é fundamental, pois os consumidores esperam experiências de compra personalizadas e que transmitam confiança. Isso inclui:
– Atendimento humanizado, mesmo que automatizado por IA;
– Personalização de ofertas e recomendações com base no comportamento do cliente;
– Transparência e confiabilidade nas informações fornecidas pela marca.
A estratégia H2H permite que as empresas se conectem de maneira mais direta e significativa com seu público, fortalecendo a lealdade e o engajamento.
A necessidade da indústria no e-commerce Direto ao Consumidor (D2C)
Com a evolução do comportamento do consumidor e a busca por mais controle sobre a experiência de compra, a estratégia de venda D2C tornou-se essencial para as indústrias. Esse modelo, aliado ao conceito H2H, permite que as marcas construam relações mais próximas com seus clientes, oferecendo experiências de compra únicas e diferenciadas. Dessa forma, não apenas se obtém maior rentabilidade e controle operacional, mas também um aumento na fidelização e no valor percebido pelo consumidor.
Os principais benefícios do modelo D2C incluem:
– Controle total sobre a experiência do cliente: a indústria passa a gerenciar diretamente todas as etapas da jornada de compra, do marketing ao pós-venda.
– Maior conhecimento do público: com acesso a dados diretos dos consumidores, é possível personalizar ofertas, aprimorar produtos e antecipar tendências.
– Redução da dependência de varejistas: ao eliminar intermediários, a indústria ganha maior autonomia na precificação e nas estratégias de lançamento de produtos.
– Relacionamento direto com o consumidor: permite campanhas de fidelização mais eficazes e a construção de comunidades em torno da marca.
A evolução do marketing, dos 4Ps para os 7Ps e, posteriormente, para o H2H, reflete a necessidade das empresas de se adaptarem ao novo comportamento do consumidor. No e-commerce, essa adaptação torna-se ainda mais crítica, especialmente para a indústria que busca vender diretamente ao consumidor final.
A transição para o D2C exige não apenas uma mudança na estratégia de venda, mas, sobretudo, uma transformação na mentalidade, que deve ser centrada no consumidor. O objetivo é promover experiências personalizadas e autênticas, com uma comunicação aberta, permitindo que o cliente perceba que há humanos do outro lado da relação.
Em um ambiente tão tecnológico, no qual hoje tudo pode ser resolvido através de um celular e que permite, cada vez mais, que algumas interações humanas sejam substituídas por tecnologias, parece, às vezes, até contraditório que o grande apelo seja a interação de humanos para humanos.
Mas a ideia é justamente pensar que as novas tecnologias nos permitem aproximar públicos que, em uma relação de venda física tradicional, jamais estariam ao nosso alcance. Ou seja, a tecnologia deve conectar o consumidor, não afastá-lo. Por isso, o H2H ganha tanta relevância para esse novo consumidor, e a indústria não deve perder tempo em se fazer cada vez mais presente.
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