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O que separa as PMEs que apenas sobrevivem daquelas que crescem é a governança

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Por: Juarez Leão

Professor, Consultor e Presidente de Conselho

Juarez é Consultor, Presidente do Conselho Consultivo da SBVC (Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo), Conselheiro de Administração de empresas como o Grupo Romitex, Maiori Casa, Grupo Leonora, Kit's Paraná e ADVB/SC, é também Mentor Endeador e Professor da PUCPR e FIA.

A importância da governança corporativa para pequenas e médias empresas

Embora a governança corporativa esteja estreitamente ligada às grandes empresas e multinacionais, a importância desse conceito para as pequenas e médias empresas não deve ser subestimada. Na situação atual de competição aguçada e mudanças rápidas, a implementação das melhores práticas de governança pode se tornar um fator-chave de sucesso de negócios, garantindo a transparência, eficiência e longevidade da empresa.

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Imagem: Reprodução.

A essência da governança corporativa envolve a forma como a empresa é administrada, implementação de certos processos, controles e diretrizes que levam, por sua vez, a uma gestão mais orientada ao processo de empresa. Isso implica a tomada de decisões baseada em dados, a atenuação de riscos e que a empresa seja vista com mais seriedade por investidores, parceiros e consumidores. Para as PMEs, que normalmente têm orçamentos apertados e estruturas mais simples, esses princípios podem ser o verdadeiro catalisador do crescimento sustentável.

Por que a governança corporativa é essencial para as PMEs?

As pequenas empresas tendem a ter estruturas de gestão menos formais, muitas vezes dependendo de um único fundador ou de uma família. Embora funcione bem nos estágios iniciais, a falta de governança formada começa a se tornar um inconveniente assim que a empresa começa a se expandir.

Problemas com a transição de posse, falha em fornecer clareza financeira e tomada de decisão com base em instintos em vez de dados podem levar a empresa à falência. Governança corporativa ajuda PMEs a se tornarem mais orientadas para as empresas, ajudando-as a lidar com desafios tais como aumento de produção, expansão para outros mercados e captação de capital. Além disso, melhora a cultura do local de trabalho e cria uma atmosfera melhor para funcionários e gestores.

Os princípios fundamentais da governança corporativa incluem o seguinte:

– Transparência: informação clara e acessível para todas as partes interessadas, incluindo sócios, colaboradores e investidores;

– Prestação de contas: definição de papéis e responsabilidades, garantindo que todas as decisões sejam bem-fundamentadas;

– Equidade: tratamento justo para todos os stakeholders, sem favorecimento ou conflito de interesses;

– Responsabilidade corporativa: compromisso com o negócio sustentável e práticas éticas que visam à longevidade.

Esses princípios determinam desde pequenas mudanças no processo decisório até a formação de um conselho consultivo para ouvir novas perspectivas sobre o negócio.

Na prática, muitas pequenas e médias empresas ainda enfrentam desafios para implementar mecanismos de governança corporativa, mesmo diante dos benefícios já citados.

Alguns dos principais desafios incluem:

– Falta de conhecimento: muitos empresários ainda enxergam a governança corporativa como uma questão restrita a grandes empresas;

– Resistência à mudança: empresas familiares, especialmente, tendem a reagir mal quando novas práticas impactam a informalidade no processo decisório;

– Recursos limitados: a implantação da governança corporativa pode exigir tempo e investimento, o que pode representar um desafio para negócios menores.

Embora possa parecer burocrático, a governança corporativa não precisa ser complexa. Iniciativas simples, como normatizar a sucessão do líder e formalizar o processo decisório, já podem ter impacto significativo.

Os benefícios para a PME

O fato é que a adoção da governança corporativa pela pequena e média empresa agrega valor comprovado a partir de vantagens competitivas.

Os principais benefícios incluem:

– Decisões mais estratégicas e bem fundamentadas;
– Atração de investidores e acesso a crédito;
– Menor risco financeiro e operacional;
– Longevidade e sustentabilidade;
-Credibilidade de mercado;
– Impacto no desempenho financeiro.

Uma gestão mais estruturada, por sua vez, se reflete diretamente na saúde financeira do negócio. Controles mais rigorosos reduzem desperdício e aumentam a tesouraria, melhorando a alocação do capital. Tudo isso se traduz em maior previsibilidade de caixa e, consequentemente, maior segurança para crescer. A transparência da governança também facilita o acesso ao financiamento e ao investimento, uma vez que gera confiança nos credores e investidores.

Como uma pequena ou média empresa pode implementar a gestão corporativa?

Não há necessidade de adotar um grande quadro. Algumas práticas eficazes e simples podem ser aplicadas gradualmente.

Um conselho consultivo pode ser um bom começo. Outra possibilidade é implementar processos internos e controles. Um ERP pode ajudá-lo a manter um bom controle de estoque e os lançamentos dos custos.

Além disso, é recomendado definir um conjunto de regras claras para a sucessão. A empresa familiar pode evitar disputas definindo um plano de sucessão claramente estruturado.

Manter o máximo de transparência sobre a saúde financeira do negócio também é importante, e implantar um sistema de controle de fluxo de caixa reduz o risco de ter problemas na contabilização.

Finalmente, investir em treinamento para sua equipe, desde a liderança à base, garante que todos alinhem as melhores práticas.

Exemplos de como pequenas e médias empresas se transformam com governança corporativa

Várias PMEs já alcançaram os benefícios da implementação dessa prática. Uma padaria de família, por exemplo, ao montar um conselho consultivo, expandiu sua área de atuação, organizou-se financeiramente e ficou substancialmente mais lucrativa.

Uma startup de tecnologia divulgou o número de auditorias e organizou processos de controle financeiro, o que a tornou mais atraente para investidores e mais competitiva no mercado.

A mensagem importante dos dois casos de sucesso: governança corporativa não é um luxo para grandes multinacionais. Além disso, é uma ferramenta fundamental para qualquer empresa que queira crescer e manter-se no mercado.

Conclusão

A governança corporativa não é um dever apenas para PMEs. É uma estratégia e uma maneira de fortalecer o negócio, otimizar processos e criar oportunidades. Para PMEs que desejam crescer de forma sustentável e estruturada, o melhor caminho é começar pequeno e crescer em complexidade quando necessário.

Governança não é um custo para PMEs – pelo contrário, é um investimento e um ativo estratégico, sobretudo para o futuro da empresa.

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