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E-commerce como transformação social para mulheres e população negra no Brasil

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Por: Amanda Lucio

Jornalista e Repórter do E-Commerce Brasil

Enquanto forma de ampliar e compor a renda mensal, o empreendedorismo tem se transformando em uma ferramenta de transformação social no Brasil, especialmente para mães solteiras e para a população negra. Os dados do Sebrae indicam que há 10 milhões de mulheres empreendedoras no país, majoritariamente negras, muitas vezes enfrentando dificuldades como acesso a crédito e sobrecarga com tarefas domésticas e profissionais.

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Magno Lavigne, secretário do ministério do trabalho, Márcia Maria, fundadora da Preta Pretin e João Barroso, líder da Amazon Brasil (Imagem: Fábio Porto)

Durante o debate promovido pelo Jota em parceria com a Amazon Brasil na quarta-feira (29), Adriana Silva, representante da Rede Mulher Empreendedora, que capacita essas mulheres em início de jornada, ajudando-as a estruturar seus negócios e enfrentar desafios como a falta de financiamento e suporte, mencionou como “muitas mulheres empreendem por necessidade, seja para alcançar independência financeira ou superar situações de vulnerabilidade”. Além disso, 75% das mulheres brasileiras relatam sobrecarga ao lidar com múltiplas rotinas, segundo o Sebrae.

A dificuldade em conciliar trabalho formal com responsabilidades domésticas é um dos fatores que leva mulheres a optarem pelo mercado informal, explicou Simone Schaffer. Em resposta, o governo federal tem debatido a Política Nacional de Cuidados, que inclui iniciativas como a criação de creches e ampliação de opções de lazer, além de ações para aliviar o peso do cuidado doméstico, que frequentemente recai sobre as mulheres.

Histórias de mulheres empreendedoras

Sandra Silva, empreendedora e fundadora do Strassis Design, encontrou no e-commerce uma oportunidade de conciliar maternidade e carreira. Após perceber que o trabalho CLT não atendia às suas necessidades durante a gestação, criou junto ao marido uma linha de móveis sustentáveis feitos com aço reciclado. “O mercado de e-commerce é desafiador, mas oferece a flexibilidade necessária para alcançar nossos sonhos”, afirma.

Márcia Maria, criadora da marca Preta Pretin, iniciou seu negócio em 2020 com foco na representatividade negra. Durante a pandemia, migrou para o digital, o que impulsionou sua loja. “No digital, é preciso estudar e conhecer as métricas. Todos os empreendedores precisam estar nesse espaço para abrir portas, mas falta visibilidade e acesso, principalmente para a população negra”, ressalta.

E-commerce como oportunidade de inclusão

A Amazon Brasil destaca o papel das PMEs no ecossistema digital. Segundo Juliana Cardoso, porta-voz da empresa, 99% dos vendedores parceiros da Amazon no Brasil são pequenos e médios empreendedores. Além disso, iniciativas como o Programa Decola Garota, que capacitou mulheres para o e-commerce, tiveram crescimento de 500% no número de participantes em 2024 em relação ao ano anterior.

O mercado digital também tem se mostrado promissor para a população negra, embora ainda existam desafios significativos. Segundo Magno Lavigne, secretário do Ministério do Trabalho, é necessário combater as desigualdades raciais e ampliar o acesso ao financiamento e à qualificação. Segundo ele, “a desigualdade no trabalho, influenciada pela cor, exige políticas públicas e ações estruturantes para oferecer oportunidades reais. Precisamos construir um mercado mais inclusivo”.

Ações estruturantes e políticas públicas

O governo federal tem implementado iniciativas como o Programa Manuel Quirino de Qualificação Social, em homenagem ao antropólogo negro pioneiro, e ampliado programas de financiamento, como o Crediamigo, do Banco do Nordeste. Contudo, como destaca Lavigne, “ainda há limites no alcance dessas ações diante da enorme demanda”.

Apesar dos desafios, o empreendedorismo digital surge como uma ponte para inclusão e transformação. “O e-commerce é um espaço de possibilidades, mas precisamos garantir que mulheres e pessoas negras tenham acesso igualitário a ferramentas, qualificação e visibilidade”, conclui Márcia Souza.

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